Dirigido pelo ótimo Jack Arnold, conhecido por grandes filmes que misturam terror e ficção científica, como “A Ameaça que Veio do Espaço” (1953) e “Tarântula” (1955), “O Incrível Homem que Encolheu” (1957) retoma alguns dos elementos das obras citadas e vai além do que elas trabalhavam. Dono de uma versatilidade imensa, o longa-metragem não acolhe apenas alguns aspectos da ficção científica ou atmosferas ligadas ao terror, mas também um drama profundo, tocante.
Tudo começa em um barco, quando um casal tira férias em um local tranquilo, ensolarado, até que uma estranha nuvem, cheia de partículas infecciosas, atinge Scott Carey, o protagonista. No começo não vemos nada de esquisito como consequência do contato junto à nuvem, mas levando em conta a filmografia de Jack Arnold e o título da obra, é de se esperar que algo no mínimo esquisito aconteça, e não dá outra, pois o personagem principal sente que está gradualmente encolhendo e perdendo peso de forma drástica.
Diante desse cenário, Scott pede ajuda médica, que nega a sensação do protagonista, diz que são coisas da sua cabeça, ótimo para inquietar o personagem e consequentemente o espectador, mas uma segunda visita a um especialista confirmaria o problema do indivíduo. Quando isso se confirma, de que o contato com a nuvem o deixou infectado por algo que o faz encolher, uma trilha musical mais voltada ao drama enfatizaria a situação perturbadora que vive o personagem, e aos poucos, conforme o tempo da narrativa passa, acompanhamos o encolhimento do sujeito com uma marcação temporal pautada justamente pela diminuição do tamanho de Scott.
Toda essa história é contada pelo protagonista, por uma voz over ligada a um livro que ele escreveu em forma de relato para contar o que aconteceu a si mesmo, uma forma, diga-se de passagem, de compartilhar a sua dor, o seu desespero, ele narra para resistir àquele problema. Tal problema, não só ligado a uma música que climatiza a situação, impressiona o espectador pelos efeitos visuais, belíssimos para a época, imagens bem elaboradas que deixam o público boquiaberto, imagens comparativas, pois com planos geralmente mais abertos, explorados de forma inteligente pela direção, vemos a constante diminuição do personagem.
Os efeitos visuais mostram, por exemplo, ele diminuído enquanto está sentado em uma poltrona, uma imagem comparativa, e conforme vai encolhendo, vemos que um telefone é grande perto dele. Mais tarde, de maneira desoladora e impressionante, entenderíamos que Scott caberia em uma casinha de bonecas, local onde, aliás, passa a morar. Por conta desse problema, sua esposa, Lou, não o abandona, cuida do sujeito, mas é nítido que há problemas na relação, pois nada é como antes, e isso não poderia ser diferente, como é comentado pelo personagem principal nos seus desabafos literários.
Não só quanto aos problemas amorosos e existenciais, Scott, devido ao seu tamanho, passa a ser constantemente ameaçado, momento em que o filme deixa um pouco de lado o tom mais melodramático e acolhe mais o tom do suspense, um tom mais voltado até mesmo ao terror. Menor do que um boneco, é perigoso que Scott fique ao lado do seu gato de estimação, mas um dia, por descuido, o bichano penetra na casa quando o protagonista está sozinho e o sofrido indivíduo passa a ser perseguido pelo animal, uma perseguição muito tensa, que chega a lembrar “Tarântula” pela desproporção de tamanho entre o animal e o homem, uma perseguição pautada por uma música que derrama aflição.
Mais tarde, cada vez mais sufocado por conta de seu problema, cada vez mais encurralado, o protagonista chega a parar no porão da sua casa, o local mais isolado da sua residência, o local mais sombrio, o mais abandonado, que simboliza muito bem a situação vivida por Scott. Se o clima ameaçador se solidifica, se a música é mais macabra e menos melodramática, se o porão é mais escuro que o outro cômodo da casa, a sala, onde boa parte da história se passava anteriormente, é confirmada essa virada do filme para um tom mais ligado ao horror.
Se não bastasse isso, Scott enfrentaria, ainda, uma tenebrosa aranha, que para o tamanho dele, mais se assemelha a um monstro, a uma besta, do que qualquer outra coisa. A primeira relação entre eles é só de ameaça, a aranha passa por perto e concede calafrios pela sua aparição. Mais tarde, porém, tendo que conquistar aquele território para poder buscar alimentos com tranquilidade e não ser ameaçado o tempo todo, o protagonista enfrenta o aracnídeo, uma luta recheada de tensão pelos imprevistos que acontecem, coisas planejadas pelo pequeno homem que não dão muito certo, situações capazes de empolgar o espectador, ainda mais se levarmos em conta a trilha musical que intensifica, diante de uma composição macabra, aquele momento de instabilidade.
Tudo começa em um barco, quando um casal tira férias em um local tranquilo, ensolarado, até que uma estranha nuvem, cheia de partículas infecciosas, atinge Scott Carey, o protagonista. No começo não vemos nada de esquisito como consequência do contato junto à nuvem, mas levando em conta a filmografia de Jack Arnold e o título da obra, é de se esperar que algo no mínimo esquisito aconteça, e não dá outra, pois o personagem principal sente que está gradualmente encolhendo e perdendo peso de forma drástica.
Diante desse cenário, Scott pede ajuda médica, que nega a sensação do protagonista, diz que são coisas da sua cabeça, ótimo para inquietar o personagem e consequentemente o espectador, mas uma segunda visita a um especialista confirmaria o problema do indivíduo. Quando isso se confirma, de que o contato com a nuvem o deixou infectado por algo que o faz encolher, uma trilha musical mais voltada ao drama enfatizaria a situação perturbadora que vive o personagem, e aos poucos, conforme o tempo da narrativa passa, acompanhamos o encolhimento do sujeito com uma marcação temporal pautada justamente pela diminuição do tamanho de Scott.
Toda essa história é contada pelo protagonista, por uma voz over ligada a um livro que ele escreveu em forma de relato para contar o que aconteceu a si mesmo, uma forma, diga-se de passagem, de compartilhar a sua dor, o seu desespero, ele narra para resistir àquele problema. Tal problema, não só ligado a uma música que climatiza a situação, impressiona o espectador pelos efeitos visuais, belíssimos para a época, imagens bem elaboradas que deixam o público boquiaberto, imagens comparativas, pois com planos geralmente mais abertos, explorados de forma inteligente pela direção, vemos a constante diminuição do personagem.
Os efeitos visuais mostram, por exemplo, ele diminuído enquanto está sentado em uma poltrona, uma imagem comparativa, e conforme vai encolhendo, vemos que um telefone é grande perto dele. Mais tarde, de maneira desoladora e impressionante, entenderíamos que Scott caberia em uma casinha de bonecas, local onde, aliás, passa a morar. Por conta desse problema, sua esposa, Lou, não o abandona, cuida do sujeito, mas é nítido que há problemas na relação, pois nada é como antes, e isso não poderia ser diferente, como é comentado pelo personagem principal nos seus desabafos literários.
Não só quanto aos problemas amorosos e existenciais, Scott, devido ao seu tamanho, passa a ser constantemente ameaçado, momento em que o filme deixa um pouco de lado o tom mais melodramático e acolhe mais o tom do suspense, um tom mais voltado até mesmo ao terror. Menor do que um boneco, é perigoso que Scott fique ao lado do seu gato de estimação, mas um dia, por descuido, o bichano penetra na casa quando o protagonista está sozinho e o sofrido indivíduo passa a ser perseguido pelo animal, uma perseguição muito tensa, que chega a lembrar “Tarântula” pela desproporção de tamanho entre o animal e o homem, uma perseguição pautada por uma música que derrama aflição.
Mais tarde, cada vez mais sufocado por conta de seu problema, cada vez mais encurralado, o protagonista chega a parar no porão da sua casa, o local mais isolado da sua residência, o local mais sombrio, o mais abandonado, que simboliza muito bem a situação vivida por Scott. Se o clima ameaçador se solidifica, se a música é mais macabra e menos melodramática, se o porão é mais escuro que o outro cômodo da casa, a sala, onde boa parte da história se passava anteriormente, é confirmada essa virada do filme para um tom mais ligado ao horror.
Se não bastasse isso, Scott enfrentaria, ainda, uma tenebrosa aranha, que para o tamanho dele, mais se assemelha a um monstro, a uma besta, do que qualquer outra coisa. A primeira relação entre eles é só de ameaça, a aranha passa por perto e concede calafrios pela sua aparição. Mais tarde, porém, tendo que conquistar aquele território para poder buscar alimentos com tranquilidade e não ser ameaçado o tempo todo, o protagonista enfrenta o aracnídeo, uma luta recheada de tensão pelos imprevistos que acontecem, coisas planejadas pelo pequeno homem que não dão muito certo, situações capazes de empolgar o espectador, ainda mais se levarmos em conta a trilha musical que intensifica, diante de uma composição macabra, aquele momento de instabilidade.
Diante do que foi comentado ao longo de todo o texto, entende-se o quão especial é "O Incrível Homem que Encolheu", uma obra com produção de filme B, mas com uma direção tão boa, mas tão boa, que a trama se destaca, como é comum acontecer com Jack Arnold. Do drama ao horror, o longa-metragem analisado aqui mostra a sua atraente versatilidade do começo ao fim, pautado por elementos muito positivos, a exemplo da importante e belíssima trilha musical bastante enfatizada nesta análise.


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