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Por Gabriel Costa Resende
Anos depois de sua experiência agridoce na redação da Runway, maior revista de moda dos EUA, a jornalista laureada Andy Sachs (Anne Hathaway), após ser recontratada como editora pelo CEO do grupo proprietário da revista, que enfrenta uma crise de imagem, reencontra a antiga chefe dos primórdios de sua carreira, Miranda Priestly (Meryl Streep). A confiança adquirida com o sucesso profissional vacila quase imediatamente diante do ícone: a mulher competente e inteligente regride por um instante àquela menina recém-formada ansiando por validação. Pode-se dizer que há um aspecto psicológico em jogo. Afinal, Miranda se notabilizava pelo rigor e pela exigência, no mundo já inóspito das revistas de moda, em proporção que beirava ou ultrapassava o assédio moral. As cicatrizes de um ambiente de trabalho tóxico, transformadas em trauma, podem nunca realmente curar – poucos ambientes imaginários podem se igualar ao infernal das assimetrias abusivas e das diferenças inconciliáveis de um escritório. Contudo, reduzir a reação de Andy a esta impressão seria uma meia cegueira, pois ignoraria que, mais do que o assombro do fantasma de antigos conflitos, o que realmente emana da jornalista veterana é um sentimento de profunda reverência.






