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Por Gabriel Costa Resende
O Afinador é o título brasileiro de Tuner, filme de Daniel Roher, diretor ganhador do Oscar com o documentário Navalny (2022), que aporta em 11 de junho nos nossos cinemas. O nome poderia disponibilizar uma piadinha pronta para um crítico mais carrancudo. Consigo imaginar as variantes de título da possível resenha, a partir da ideia de que “O Afinador desafina”. Inversamente, um entusiasta poderia com a mesma facilidade dizer que o filme, a direção ou as atuações estão todos “afinadíssimos”. Permita-me, no entanto, discordar de ambas as hipóteses. Nem afinado, nem desafinado, muito pelo contrário? Em O Afinador, se nem todos os ajustes foram realizados com o esmero de um especialista refinado, também não se pode falar em uma passagem de som malfeita. E está tudo bem: o próprio protagonista, o afinador de pianos Niki (Leo Woodall), lembra à compositora e interesse amoroso Ruthie (Havana Rose Liu) que em sua área profissional a perfeição é inalcançável. Escutemos o recado. Assim como não havia a expectativa de sermos expostos à maestria de um virtuoso, tampouco há motivo para chorar o erro de algumas notas como se elas provocassem imensa dor.
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