Por Gabriel Costa Resende
É algo que talvez você devesse ignorar. Principalmente porque acha que é a única pessoa viva na casa. Na verdade, é uma dessas raras noites em que você preferiria ter a certeza de estar só. Uma cantilena baixa e insistente incomoda o seu sono. A rotina que te fez aprender a ouvir seletivamente também te condicionou a ocultar, sob motores e falatórios cotidianos, quaisquer ruídos informes, sem origem rastreável. Ruídos que talvez desde sempre estivessem lá, sorrateiros, ocultos no caos, hoje, justamente quando você presume estar só, decidiram se impor.





