terça-feira, 15 de junho de 2021

Lista | 7 filmes do terror italiano

O terror italiano lançou moda, lançou tendências, abrigou atrizes de outros países, criou poesia através do grotesco, consolidou o slasher, flertou com o trash e praticamente criou o gore e o horror em falso documentário. Os gialli, por exemplo, nome tirado das capas amarelas dos livros de suspense policial, foram um enorme sucesso no cinema italiano, narrativas de medo que, baseadas em tramas detetivescas, nos concederam verdadeiras obras-primas, como é o caso de algumas de Dario Argento. Houve muitos erros, de fato, no terror italiano, muitos filmes de baixa qualidade, como é o caso de “No Quarto Escuro de Satã” (1972), ou como é o caso de “Dois Olhos Satânicos” (1990), mas é preciso ser justo e dizer que muitas fitas italianas do gênero, muitos gialli principalmente, foram importantíssimos para a evolução do suspense/terror mundial.

Falando em baixa qualidade e em gore, confesso que não consigo engolir muito bem a maioria dos filmes de Lucio Fulci, um dos mais famosos cineastas italianos, inclusive os seus gialli, como é o caso “Premonição” (1977). Fulci, por exemplo, é um cineasta que, na maior parte das vezes, mostrou-se limitado, repetitivo, não sabendo coordenar estruturas plausíveis, porém é necessário destacar, e colocar nesta lista, o seu “Zumbi 2” (1979). Mais do que uma bela jogada de marketing como se fosse uma continuação de um sucesso de George A. Romero, há elementos muito bons na composição dessa narrativa, como a hipérbole que se aproxima do trash, além do gore muito bem composto pelas mutilações agressivas e pelo banho de sangue. O cineasta, querendo ou não, teve a sua importância no cinema italiano, foi um experimentador no campo do terror. Em uma prateleira mais alta, por outro lado, Mario Bava e Dario Argento esbanjaram sabedoria e sensibilidade poética, realizaram grandíssimas obras, a exemplo de “O Chicote e o Corpo” (1963), de Bava, a exemplo “Prelúdio para Matar” (1975), de Argento, provavelmente os carros-chefe das suas respectivas filmografias.

Mario Bava, a propósito, popularizou o terror italiano com “A Maldição do Demônio” (1960), lançou o primeiro giallo cinematográfico, “Olhos Diabólicos” (1963), e consolidou a sua carreira com o famoso “As Três Máscaras do Terror” (1963). Argento, que pode ser lido como o grande mestre dos gialli, abrigava nas suas fitas, muitas vezes, personagens femininas que transitavam entre a fragilidade e a força, característica vista em “Suspiria” (1978), em “Phenomena” (1985) e em “Terror na Ópera” (1987). Argento, ainda sobre ele, coordenava com absoluta inteligência cada enquadramento das suas películas, enquadramentos que buscavam o terror, o suspense, por meio da limitação dos campos de visão, por exemplo, não é por menos que tanto explorou quadros atrelados a buracos de fechadura ou a olhos mágicos de portas, quadros muitas vezes banhados de colorações avermelhadas, passando a impressão de que o sangue e o alerta estão sempre muito próximos das suas protagonistas. 

Antes de concluirmos a nossa lista, não podemos nos esquecer de destacar a importância de “Holocausto Canibal” (1980), de Ruggero Deodato, como um pioneiro do terror em found footage, atualmente um dos subgêneros do horror mais bem explorados pelos cineastas espalhados pelo mundo, e a capacidade da filmografia italiana de abrigar, ainda, narrativas de medo que flertam com a ficção científica, como é o caso de “A Ilha dos Homens-Peixe” (1979), de Sergio Martino, e com o trash, também com exploitation, como é o caso de “O Rato Humano” (1988), de Giuliano Carnimeo. Sem mais delongas, apreciemos os poucos filmes, porém poderosos, que constam nesta lista.

“As Três Máscaras do Terror” (1963)

Black Sabbath - As Três Máscaras do Terror

Uma trilogia de três contos de terror independentes, baseadas nos contos dos escritores Aleksei Tolstoy, Ivan Chekhov e F.G. Snyder. Na primeira estória, O Telefone, uma prostituta recebe uma série de telefonemas misteriosos de um ex-cliente morto. Na segunda, O Wurdalak, uma família do interior da Rússia tenta lutar contra uma linhagem de vampiros quando recebe a visita de um conde russo do século XIX. Estrelado por Boris Karloff, como o vampiro sedento por sangue. Por último, A Gota d’Água, em que uma enfermeira rouba o anel do cadáver de uma médium, enquanto o prepara, despertando a fúria da falecida.


“O Chicote e o Corpo” (1963)

O Chicote e o Corpo - Bava

No século XIX, um nobre sádico aterroriza os membros de sua família. Ele é encontrado morto, mas seu fantasma retorna para assombrar os residentes de seu castelo.


“Todas as Cores do Medo” (1972)

Tutti i colori nel buio

Jane vive em Londres com Richard, seu namorado. Quando ela tinha cinco anos, sua mãe foi assassinada, e ela recentemente perdeu um bebê em um acidente de carro. É também atormentada por pesadelos envolvendo uma faca e um homem de olhos azuis.


“Prelúdio para Matar” (1975)

Profondo Rosso (1975)

O pianista inglês Marcus Daly (David Hemmings) é testemunha do brutal assassinato de uma famosa médium (Macha Méril), mas não é capaz de reconhecer o rosto do criminoso. Intrigado, ele decide investigar o crime com a ajuda da repórter Gianna Brezzi (Daria Nicolodi), mergulhando num submundo perigoso e correndo cada vez mais riscos a medida em que se aproximam da verdade pois são constantemente vigiados pelo misterioso assassino.


“Saló ou 120 dias de Sodoma” (1975)

Saló

Em 1944, na cidade de Saló ocupada por nazistas, no norte da Itália, quatro fascistas sequestram 16 jovens saudáveis e os aprisionam em um palácio perto de Marzabotto. Além deles, há quatro mulheres de meia-idade, sendo que três delas relatam as histórias de Dante e de Sade, e a quarta acompanha ao piano. Na mansão vigiada por guardas, os fascistas vão cometer todo tipo de experiências com os jovens, que passam a ser usados como uma fonte de prazer sexual, masoquismo e morte.


O Pássaro Sangrento” (1987)

Um diretor de teatro decadente planeja atrair a atenção da mídia encenando um musical que narra a vida de Irving Wallace, um assassino em série, depois que uma das integrantes da equipe é assassinada. O grupo se reúne num depósito para ensaios noturnos, sem saber quem está no palco, interpretando o psicopata que usa máscara de coruja, não é um ator, mas sim o verdadeiro Wallace, que fugiu de um manicômio das proximidades.



“O Rato Humano” (1988)

Um maníaco degola uma modelo numa ilha caribenha e deixa seu corpo para os ratos comerem. A irmã da modelo suspeita que algo não está certo com a investigação policial e decide descobrir por conta própria. Com seu amigo, Fred, as investigações conduzem a uma parte desconhecida da ilha onde existe uma criatura meio-rato, meio-homem.


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